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Paisagem de Interior - Jessier Quirino

Matuto no mêi da pista menino chorando nu rolo de fumo e beiju colchão de palha listrado um par de bêbo agarrado preto véio rezador jumento jipe e trator lençol voando estendido isso é cagado e cuspido paisagem de interior. Três moleque fedorento morcegando um caminhão chapéu de couro e gibão bodega com surtimento poeira no pé de vento tabulêro de cocada banguela dando risada das prosa do cantador buchuda sentindo dor com o filho quase parido isso é cagado e cuspido paisagem de interior. Bêbo lascando a canela escorregando na fruta num batente, uma matuta areando uma panela cachorro numa cadela se livrando das pedrada ciscador corda e enxada na mão do agricultor no jardim, um beija-flor num pé de planta florido isso é cagado e cuspido paisagem de interior. Mastruz e erva-cidreira debaixo dum jatobá menino querendo olhar as calça da lavadeira um chiado de porteira um fole de oito baixo pitomba boa no cacho um canário cantador caminhão de eleitor...

Cordel Estradeiro - Cordel do Fogo Encantado

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A bença Manoel Chudu O meu cordel estradeiro Vem lhe pedir permissão Pra se tornar verdadeiro Pra se tornar mensageiro Da força do teu trovão E as asas da tanajura Fazer voar o sertão Meu moxotó coroado De xiquexique facheiro Onde a cascavel cochila Na boca do cangaceiro Eu também sou cangaceiro E o meu cordel estradeiro É cascavel poderosa É chuva que cai maneira Aguando a terra quente Erguendo um véu de poeira Deixando a tarde cheirosa É planta que cobre o chão Na primeira trovoada A noite que desce fria Depois da tarde molhada É seca desesperada Rasgando o bucho do chão É inverno e é verão É canção de lavadeira Peixeira de Lampião As luzes do vaga-lume Alpendre de casarão A cuia do velho cego Terreiro de amarração O ramo da rezadeira O banzo de fim de feira Janela de caminhão Vocês que estão no palácio Venham ouvir meu pobre pinho Não tem o cheiro do vinho Das uvas frescas do Lácio Mas tem a cor de Inácio Da serra da Catingueira Um cantador de prime...

Tranca Rua - Amazan

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O tranca rua! Eu ainda era menino A premera vez que vi O cabocão lazarino E nunca mais esqueci Seu nome era tranca rua Pois quando a vontade sua Era fechar a cidade Dava ordem pra trancar Mercado, bodega, bar E até a casa do padre Quatro, cinco, seis soldado Para ele era perdido Uns ficava istrupiado Outros ficava estendido De modos que a cidade Não tinha tranqüilidade No dia que ele bebia Pois quando se embriagava Dava a gota bagunçava E prendê-lo ninguém podia Tranca rua era um caboco De dois metros de artura Os braço era aqueles tôco As pernas dessa grossura Não tinha medo de nada Pois até onça pintada Ele sozinho caçava Pegava a bicha com a mão Depois com um cinturão Dava-lhe uma pisa e matava E eu cresci-me escutando Falar do cabra voraz O tempo foi se passando E eu tormei-me rapaz Mole que só a mulesta Pois até pra ir uma festa Eu era discunfiado Se acaso visse uma briga Me dava uma fadiga Eu ficava todo mijado Quem hoje olha pra mim Pensa até que eu tô inch...

O Dizido das horas no Sertão - De Jessier Quirino

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Para o sertanejo antigo, O ponteirar do relógio, De hora em hora, a passar, Da escurecença da noite, À solnascença do dia, É dizido, ao jeito deles, No mais puro boquejar: Se diz até que os bichos, Galo, nambu, jumento, Sabe as hora anunciar! Uma hora da manhã, Primeiro canto do galo. Quando chega duas horas, Segundo galo, a cantar. Às três, se diz madrugada, Às quatro, madrugadinha, Ou o galo a miudar! Às cinco, é o cagar dos pintos, Ou, mesmo, o quebrar da barra. Quando é chegada seis horas,  Se diz: o sol já de fora, Cor de Crush, foi-se embora... E tome o dia, a calorar! Sete horas da manhã É uma braça de sol. O sol alto é oito em ponto, O feijão tá quase pronto E já borbulha o mungunzá! Sendo verão, ou, se chove, Ponteiro bateu as nove... É hora de almoçar! Às dez é almoço tarde, Pra quem vem do labutar. Se o burro dá onze horas, Diz: quase mei dia em ponto! Às doze é o sol a pino, Ou o pino do meio dia. O suor desce de pia, Sertão ...

Cordel do Ano Novo de Gustavo Dourado

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                                                                 Esse Cordel não deu para fazer em audio, mas no inicio do proximo ano colocarei o audio. O BLog o Cordel deseja um feliz ano novo a todos....                                                               Festival do Ano-Novo Desde a antiguidade... Na velha Mesopotâmia: Foi grande festividade... Nos meus tempos de criança: Festejei a novidade... 2.000 a.C: Começou o Festival... Na antiga Babilônia: Foi festa primordial... Equinócio da primavera: Lua Nova magistral... Festejava-se em março: Era festa de primeira... O povo aproveitava: Sacudia a pasmaceira... Saudava o Sol nacente: Depois da noite ...

Jesus no Xadrez - de Chico Pedrosa

Recitado por: Cordel do Fogo Encantado. No tempo em que as estradas Eram poucas no sertão Tangerinos e boiadas Cruzavam a região Entre volante e cangaço Quando a lei Era a do braço Do jagunço pau-mandado Do coroné invasô Dava-se no interiô Esse caso inusitado Quando o Palmeira das Antas Pertencia ao capitão Justino Bento da Cruz Nunca faltô diversão Vaquejada, canturia Procissão e romaria sexta-feira da paxão Na quinta-feira maió Dona Maria das Dores No salão paroquial Reuniu os moradores Depois de uma preleção Ao lado do capitão Escalava a seleção De atrizes e atores Todo ano era um Jesus Um Caifaz e um Pilatos Só não mudavam a cruz O verdugo e os maltratos O Cristo daquele ano Foi o Quincas Beija-flor Caifaz foi Cipriano Pilatos foi Nicanô Duas cordas paralelas Separavam a multidão Pra que pudesse entre elas Caminhar a procissão Quincas conduzindo a cruz Foi num foi adivirtia O Cinturião perverso Que com força lhe batia Era pra bater maneiro Bastião num intidia Divido um grande p...